Indústria Cultural

Um dos temas da última aula do professor Beto Mansur (25/10). É conteúdo para a próxima avaliação e, desnecessário dizer, para o vestibular. O texto a seguir é da aula de 2 de julho:

Indústria cultural
As reflexões sobre as influências da Indústria Cultural na atualidade têm permeado as discussões entre os pesquisadores que procuram compreender a mudança de valores e de práticas socioculturais entre os individuos, em grande parte promovida pela mídia. Esta mudança de valores também vem ocorrendo nas Artes.

Com relação à música, usando categorias marxistas, destaca que é a mudança se dá quanto ao valor de troca e não quanto ao de uso, ou seja, trata-se de um significado de exploração pela Indústria Cultural. Exploração esta que perpassa as “ondas” de violência física, mental e social e que repercutem nas atitudes dos que se deixam iludir pelo apelo de felicidade veiculado pelos meios de comunicação em massa.


“O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte. A verdade é que não passam de um negócio, sendo utilizado como veículos ideológicos destinados a legitimar o lixo que propositadamente produzem. Eles definem a si mesmos como indústrias e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretores gerais suprimem toda dúvida quanto à necessidade social de seus produtos”.

Esta “necessidade social” destacada pelo ponto de vista capitalista seria a busca de uma “identidade coletiva”, pela qual o indivíduo precisa consumir os produtos da Indústria Cultural para se sentir parte de um todo. Porém, um todo ilusório, porque esta busca do coletivo, do “sentir-se igual”, acaba por reforçar a marginalidade cultural a que está destinada à maioria da população já marginalizada economicamente.

Quando a Indústria Cultural privilegia um produto pseudo-artístico padronizado, calculado tecnicamente para surtir efeitos determinados de modo a serem por todos desejados e repetidos, na forma e na medida adequados a garantir o poder e o lucro do sistema dominante, gera uma necessidade compulsiva generalizada que afasta o “não-idêntico” como exótico, indesejado, incômodo ou doente.

Tal repetição vem camuflada com outros produtos que, não obstante a variação aparente, repete os mesmos modelos, esquemas ou características impostas, tendendo a manter o público sob controle, cada vez mais massificado, inconsciente e compulsivamente preso à corrente de produção.

Como conseqüência dessa massificação, podemos considerar que o fato de se ter acesso somente à cultura de massa acaba por não permitir ao indivíduo a aquisição do conhecimento de outros aspectos culturais que expressam a cultura do povo, seus valores e suas lutas.
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No plantão de véspera (5 de julho), esse mesmo tema foi trabalhado:

Indústria cultural é o nome genérico que se dá ao conjunto de empresas e instituições cuja principal atividade econômica é a produção de cultura, com fins lucrativos e mercantis. No sistema de produção cultural encaixam-se a TV, o rádio, jornais, revistas, entretenimento em geral; que são elaborados de forma a aumentar o consumo, modificar hábitos, educar, informar, podendo pretender ainda, em alguns casos, ter a capacidade de atingir a sociedade como um todo.

A expressão “indústria cultural” foi utilizada pela primeira vez pelos teóricos da Escola de Frankfurt Theodor Adorno e Max Horkheimer no livro Dialética do Esclarecimento (Dialektik der Aufklãrung, no original, Dialética do Iluminismo, em Portugal, e Dialectic of Enlightenment, em inglês). Nessa obra, Adorno e Horkheimer discorrem sobre a reificação da cultura por meio de processos industriais.

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E no último vestibular da UEM (8 de julho)…

De acordo com o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, a expressão “indústria cultural” refere-se ao “complexo de produção de bens culturais, disseminados através dos meios de comunicação de massa, que impõe formas universalizantes de comportamento e consumo; comunicação de massa que funciona como sistema mercantil e industrial” (Curitiba: Ed. Positivo, 2004, p. 1098).

Levando-se em consideração essa definição bastante abrangente, pode-se concluir que
A) a “indústria cultural” antecede a sociedade moderna, já que, na Idade Média, a Igreja Católica impunha a todos uma forma universalizante de comportamento, a moral cristã, e impedia o consumo de bens espirituais que não correspondessem a seus preceitos.
B) existe uma profunda relação entre a expansão dos meios de comunicação de massa e o desenvolvimento da “indústria cultural”, o que explica a importância, já atestada nas Civilizações Antigas, da propaganda impressa utilizada pelos artistas e artesãos para divulgar seus produtos.
C) a “indústria cultural” está relacionada ao desenvolvimento da sociedade capitalista contemporânea, na qual todos os bens, inclusive os culturais, como as reproduções das obras de arte, tendem a ser transformados em mercadorias para o consumo do maior número possível de compradores.
D) os meios de comunicação de massa, sendo muito mais antigos que a sociedade capitalista, não estão completamente influenciados por ela; por isso, não podem ser considerados uma parte integrante da “indústria cultural”.
E) a “indústria cultural” surgiu na Europa Ocidental, na época da transição do sistema artesanal, característico da sociedade feudal, para o sistema manufatureiro capitalista, processo que ocorreu inicialmente no setor de comunicação de massa.

Gabarito: C

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O nome “Massa FM”, depois disso tudo, passa a soar irônico…

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4 Respostas para “Indústria Cultural

  1. POR QUE SERÁ QUE PRATICAMENTE TODOS AS UNIVERSIDADES EXCLUÍRAM A INDÚSTRIA CULTURAL DOS VESTIBULARES, NÉ?

  2. háháhá, o nome é Massa Fm porque é o sobrenome do dono Carlos Massa “RATINHO” der !

    • “háháhá, o nome é Massa Fm porque é o sobrenome do dono Carlos Massa “RATINHO” der!”
      Obrigada Capitã Óbvio!
      Soa irônico porque é difusor de conteúdo para a massa (grande parte da população).

      Sem palavras, excelente texto. Mesmo antigo (2007), mas muito bem elaborado.

  3. Ótimo conteúdo, termos científicos bem conceituados, resumiu sem deixar faltar nada.

    Parabéns, Jhoel

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