O dia em que o Mauro saiu no jornal

15 de agosto de 2006 é lembrado com muito carinho pelos alunos não só por ter sido feriado municipal. Nesse dia, o professor Mauro saiu no Diário do Norte do Paraná na seguinte reportagem:

Ar seco, lá vem o inofensivo (mas chato) choque estático

Em tempos de estiagem, baixa umidade relativa favorece um fenômeno que nos transforma em verdadeiras pilhas: em contato com metais, descarregamos eletricidade
por Carla Guedes

Quem já levou um choque quando encostou na porta do carro ou abriu o portão da garagem sabe como isso é chato. Quem, quando criança, não brincou de aproximar o braço do monitor de televisão para ver os pelos serem eriçados? Ou, então, vestir e tirar a blusa de lã várias vezes no quarto escuro para ver as faíscas de eletricidade percorrendo a malha?

Esses fenômenos são comuns e não representam nenhum risco à população. São apenas formas de manifestação da eletricidade, que a Física, ou melhor, a Eletrostática, explica.

Dias secos – com umidade relativa do ar muito baixa – favorecem esses pequenos choques. Mas não é preciso se assustar com isso. Físicos explicam que o fenômeno é comum e está longe de ser prejudicial ao organismo. “A intensidade do choque é baixíssima, não há risco para a saúde”, esclarece o professor de física da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maurício Antônio Custódio de Melo.

Em dias úmidos, a quantidade de moléculas de água é maior e, como estão misturadas ao ar, facilitam a condução de eletricidade; assim, as cargas positivas e negativas não se acumulam. “Dias úmidos facilitam a troca de cargas, ao contrário de dias mais secos”, compara o também professor de física Wilson Galvão Filho, que acrescenta: “O ar seco é isolante e dificulta a dispersão das cargas, resultando num acúmulo de carga elétrica que favorece ainda mais os choques”. Nos dias úmidos, os choques também acontecem, porém são menos intensos, quase imperceptíveis.

“É comum ver alguém tomando um choque ao tocar na maçaneta do carro”, ilustra Marco Antônio Rubin, professor de física. Eis aí um fenômeno que pode ser facilmente explicado: o motorista ou o passageiro do veículo acumula cargas elétricas devido ao atrito entre o banco do carro e a roupa, principalmente se for de tecido sintético. Como o volante e os outros materiais do interior do veículo são maus condutores, a pessoa não descarrega o excesso de elétrons. Isso só vai acontecer ao tocar em material condutor, como na porta do carro, que, por ser de metal, é boa condutora. É nesse escoamento de cargas que a pessoa sente o choque. Mas se o banco do carro for de couro, que evita acúmulo de energia eletrostática, a probabilidade de o choque acontecer é menor.

Mais exemplos? “Quando se vai a um shopping que está com o ar condicionado ligado, é só encostar o corpo em uma superfície metalizada que ocorre a descarga elétrica”, cita Galvão. Ao dormir, o simples ato de puxar o cobertor gera eletricidade estática. Ao caminhar, o contato e a separação da sola do calçado com o piso também acumulam carga elétrica, assim como no supermercado, ao movimentar o carrinho de compras.

Seo Munekata: Não sei o que fazer para isso parar
Certas pessoas têm mais predisposição a sentir os choques. O físico Mauro Mewes explica que essas pessoas são mais polarizadas que as outras. “Aquelas com a pele seca são mais suscetíveis aos choques em relação às pessoas que têm pele oleosa.” A oleosidade, afirma Mewes, facilita a troca mais rápida das cargas elétricas com o ar, portanto não há acúmulo de cargas.

Talvez essa possa ser a explicação para o aposentado Tsumeite Munekata, que há quase dois meses sofre com choques desconfortáveis. “Não agüento mais os choques. Não sei o que fazer para isso parar de acontecer”, reclama. “Acredita que eu até levei o carro na concessionária porque achava que poderia ser defeito na parte elétrica?”

Ele diz que leva choque ao fechar o portão da garagem, tocar na maçaneta e encostar a camisa na porta do carro. “Faz até barulho e às vezes vejo faíscas.” O aposentado conta que já fez um pouco de tudo para eliminar os choques: “Pisei na terra e também fiquei descalço em casa, mas nada adiantou”.

Esse incômodo de que tanto se queixa Munekata pode ser eliminado se algumas dicas forem incorporadas ao dia-a-dia. Mewes aconselha não tocar a porta do carro com as pontas dos dedos. As pontas vão funcionar como fio terra; assim, o excesso de carga do veículo passa pela pessoa. “O ideal é encostar em objetos metálicos com a palma das mãos para evitar choques”, ensina.

Outra dica é, ao chegar em casa, ficar descalço por alguns minutos para descarregar a energia acumulada durante o dia. Também é bom pisar na terra e na grama ou encostar-se na parede. Mas nem sempre essa saída funciona, porque nos dias secos a terra não está úmida o suficiente para conduzir eletricidade. O mais aconselhável é evitar roupas de tecido sintético.

Ver faíscas e escutar estalos ao levar um choque também não devem ser motivo de preocupação. O deslocamento de cargas faz com que os elétrons saltem, provocando estalos e faíscas. “Vemos faíscas ao tirar uma blusa de lã e escutamos estalos ao encostar o braço perto do monitor da televisão, mas nada mais são que os elétrons saltando por causa do aquecimento do ar”, explica Galvão.

(http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/29845)

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