Excelentíssimo Senhor Presidente da República Jânio da Silva Quadros

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Alguns pontos e curiosidades sobre o presidente mais excêntrico que eu este pais já teve: minha avó votou nele; foi seu primeiro voto e ela se lamenta até hoje na mesa do almoço. Em contrapartida, ela é bem nostálgica em relação à ditatura militar. Jânio teve uma carreira política astronômica — e invejável. Em treze anos, exerceu os cargos de vereador (1947), deputado estadual (1950), prefeito ( em 1953; abandonou o cargo e assumiu o vice José Porfírio da Paz, autor do hino do São Paulo Futebol Clube), governador (1954), deputado federal (1958) até chegar à presidência da República. Foi o primeiro presidente empossado em Brasília, a nova capital nacional. Depois do período de reclusão durante o governo militar, Jânio foi eleito novamente prefeito de São Paulo em 1985, cidade onde viria a falecer em 1992, aos 75 anos.

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Jânio Quadros lançou imediatamente um rigoroso programa antiinflacionário. Em março de 1961, anunciou uma reforma do sistema cambial, simplificando as múltiplas taxas e desvalorizando o cruzeiro 100%. Isso provocou uma drástica redução nos subsídios para importações essenciais, tais como o trigo e a gasolina, tendo dobrado o preço do pão a varejo e aumentado as tarifas de ônibus e de outros transportes. Essas reformas, embora impopulares, obtiveram a aprovação do FMI, dando a Quadros a possibilidade de renegociar as dívidas externas.

De maio a junho, o governo obteve sucesso nas negociações com os credores estrangeiros. Os esforços internos de estabilização repercutiam bem no exterior.

Internamente, despontaram, entretanto, as inevitáveis reclamações de empresários, trabalhadores e consumidores que, embora em princípio não desaprovassem a estabilização, consideravam que os sacrifícios que lhes eram impostos não se justificavam.

Gradativamente, Quadros começou a duvidar da validade do rigoroso programa antiinflacionário que ele próprio sugerira.

Criou os Ministérios da Indústria e Comércio e das Minas e Energia. Jânio nomeou uma comissão para definir a limitação da remessa de lucros para o exterior; instaurou inquéritos para apurar denúncias de corrupção administrativa e exigiu drásticas medidas antiinflacionárias. Em sua política externa (abertura comercial e diplomática), chegou a homenagear Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração nacional, o que acabou provocando forte reação contra ele. Carlos Lacerda, governador da Guanabara, denunciou um golpe janista. A própria opinião pública que o apoiava começou a reagir contra algumas de suas medidas (proibição do uso de biquíni em concursos de beleza, proibição da chamada “briga de galo”, regulamentação das corridas nos jóqueis clubes, proibição do lança-perfume em bailes de Carnaval etc — algumas que, por mais ridicularizadas que foram, não foram revogadas).

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Jânio condecora Che em Brasília (19/8/1961, apenas seis dias antes de renunciar)

Crise sucessória
O controverso político, que chegou à Presidência da República com a maior votação que um homem público jamais havia alcançado no Brasil até então, surpreendeu toda a nação, no dia 25 de agosto de 1961, após quase sete meses de governo, com a renúncia ao cargo de presidente. Esse gesto nunca foi totalmente esclarecido. Na ausência do vice-presidente, João Goulart, que se encontrava visitando a República Popular da China, assumiu o posto o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli.

Estava deflagrado o processo que resultaria no Movimento Revolucionário de março de 1964.

Verificou-se uma radicalização acentuada dos partidos políticos de direita e de esquerda, relativa à orientação dada aos assuntos econômicos e políticos, nas relações interna e externa.

Os ministros militares julgaram inconveniente à Segurança Nacional o regresso do vicepresidente, acusado de comprometimento com os comunistas. Em oposição, levantou-se o governador Leonel Brizola, defendendo a “Legalidade”.

Com a evolução da crise política e a radicalização dos grupos antagônicos, o país viu-se diante da possibilidade de uma guerra civil. Ante essa grave situação interna, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional n-º 4 à Carta de 1946, que instaurava o regime parlamentarista no Brasil.

Com ajuda da revisão online do Objetivo

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2 Respostas para “Excelentíssimo Senhor Presidente da República Jânio da Silva Quadros

  1. Pingback: Jânio e Ovelha « Terceirão!

  2. Ai esse conteudo,e tudo de bom uiiii (6)
    bexinhoss, para as pessoas bunitas :***

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