Watson dá declaração racista a jornal

(Watson foi citado com entusiasmo pelo professor Odacir em sua aula ontem, quarta, 18/10; a notícia abaixo saiu hoje na Folha de S. Paulo, inclusive na capa)

Watson dá declaração racista a jornal

Um dos descobridores da estrutura do DNA afirma que africanos são menos inteligentes que ocidentais

Uma entrevista do biólogo James Watson, 79, com declarações racistas anteontem a um jornal britânico atraiu uma enxurrada de críticas de cientistas, sociólogos, políticos e ativistas de direitos humanos.

Watson, ganhador do Prêmio Nobel de 1962 por ter participado da descoberta da estrutura do DNA, afirmou ao jornal Sunday Times que africanos são menos inteligentes do que ocidentais e, em razão disso, se declarou pessimista em relação ao futuro da África.

“Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não”, afirmou o cientista. “Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade”.

A declaração verbal foi apenas um jeito um pouco menos delicado de expor o que ele já havia escrito em seu recém lançado livro Avoid Boring People (Evite Pessoas Chatas): “Não há razão firme para antecipar que as capacidades intelectuais de pessoas geograficamente separadas se mostrem tendo evoluído de maneira idêntica. Nosso desejo de considerar poderes iguais de raciocínio como uma herança universal da humanidade não vai se prestar a isso”.

Pessoas que apontaram erros na declaração de Watson afirmam que a reação ao cientista precisa ser contundente. O cientista chegou ontem a Londres para divulgar seu livro, e já foi recebido com críticas.

“Isso é Watson no nível mais escandaloso”, disse Steven Rose, fundador da Sociedade para Responsabilidade Social em Ciência no Reino Unido. “Ele já havia dito coisa parecida sobre mulheres, mas eu nunca tinha ouvido ele entrar no terreno do racismo. Se ele conhecesse literatura sobre o assunto, saberia que está totalmente enganado cientificamente, além de socialmente e politicamente”.

Em seu livro Genes, Girls and Gamow, Watson se declarou favorável a um eventual tratamento genético para deixar mulheres feias mais bonitas. Em outra ocasião, defendeu o direito ao aborto, se as grávidas pudessem saber se a criança nasceria homossexual.

Falácia genética
“Definitivamente, isso não faz sentido nenhum e é totalmente estapafúrdio”, disse à Folha Sérgio Danilo Pena, geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre as declarações de Watson. “É uma falácia de autoridade. Ele não tem nenhuma expertise no estudo de evolução de populações humanas. Ele estuda biologia molecular pura”.

Pena, cujo trabalho sobre populações brasileiras contribuiu em grande medida para derrubar o conceito biológico de raças humanas, afirma que a maioria das pessoas “não vai levar Watson a sério”, mas que ele pode “inflamar os ânimos” daqueles que já são racistas.

Sobre a situação da África, Pena diz que nem sequer é uma questão de inteligência. “O Watson confunde uma situação histórica e social da África com uma situação biológica”, disse. “O que acontece é que os africanos foram vítimas de uma colonização brutal por parte dos europeus”.

Rafael Garcia, com “Independent”

(Mais do mesmo: Burrice é genética, arrisca James Watson, Folha Online, 4/3/2003)

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