Rock II

Algumas curiosidades para complementar o post anterior:

De onde vem o nome rock’n’roll?
Vem da gíria dos negros americanos do começo do século 20, que usavam a expressão para o ato sexual. O primeiro registro musicado dessa junção erótica dos verbos to rock (balançar) e to roll (rolar) está num blues gravado por Trixie Smith em 22: “My Daddy Rocks Me (With One Steady Roll)”, algo como Meu Papai Me Balança (Com Um Rolar Ritmado). Ela era comum nas letras de rythm’n’blues, febre dançante dos anos 40 que, ao quebrar a barreira racial e conquistar os adolescentes brancos, ganhou um novo nome: rock’n’roll. Quem a batizou foi o DJ Alan Freed, principal responsável por essa popularização por meio de um programa de rádio. Ele estreou em 51 com o nome The Moondog House (A Casa do Cão-da-Lua), mas um processo do músico Louis “Moondog” Hardin, cuja canção “Moondog Sympony” havia inspirado a alcunha, obrigou Freed a mudar o nome, em 54, para Rock’n’Roll Party (Festa do Rock’n’Roll). A expressão porém, já havia ganho um significado mais amplo, de ritmo sensual, dança agitada ou diversão em geral. Não era mais só sexo, sexo, sexo…

Como nasceu o rock’n’roll?
Pela fusão de dois gêneros musicais da década de 40, que, apesar de populares, ocupavam segmentos marginais do mercado americano, então dominado por big bands e cantores como Bring Crosby e Frank Sinatra. Esses dois gêneros, vivos ainda hoje, são o rythm’n’blues (R&B) e country & western (C&W). O primeiro tem raiz no blues, estilo de canção dos negros do sul dos EUA. O segundo vem do folclore dos britânicos que colonizaram a região e seus descendentes hillbillies (caipiras das montanhas). Desde o início do século 20, o intercâmbio entre músicos brancos e negros, a influência do swing e a acelerada modernização pop dessas tradições criou protótipos do rock’n’roll como boogie woogie e jumb blues (do lado R&B), honky tonk e hillbilly boogie (do lado C&W). Até culminar em Bill Haley e Elvis Presley, passou-se mais de meio século.

Por que Chuck Berry é idolatrado por gerações de rock’n’rollers?
Porque é o artista mais completo da primeira geração do rock — composta, na maioria, por cantores dependentes de compositores e músicos profissionais. Berry podia não ser o vocalista mais dotado, mas era compositor, instrumentista e showman. Seus riffs e solos de guitarra definiram o ABC da conversão do R&B em rock. Nas letras, criou um estilo humorístico único, cheio de historinhas e personagens, consagrando a típica poesia roqueira de celebrar prazeres adolescentes. E ainda lançou dois cartões de visita definitivos, “Rock And Roll Music” e “Roll Over Beethoven” explicando por que preferia o rock ao jazz e à música clássica. “Se fôssemos dar outro nome ao rock’n’roll, podia ser Chuck Berry”, disse John Lennon, que, à frente dos Beatles, regravou as duas canções e mais seis do ídolo. Nenhum outro autor teve tantas músicas recriadas por grandes nomes do rock — só os Rolling Stones gravaram 12 covers e a lista inclui Elvis, Bo Diddley, Buddy Holly, Jerry Lee Lewis, Beach Boys, Jimi Hendrix, Eric Clapton,
Carlos Santana, Doors, David Bowie, Ramones, Sex Pistols, AC/DC…

Em que o rock inovou a linguagem musical?
Em muito pouco, além da ênfase radical no ritmo e na potência sonora. Essa ênfase rítmica, porém, não passa de flagrante herança de sua raiz africana — os cantos de trabalho e de culto religioso que deram origem ao blues, pai do jazz e do rock’n’roll. O rock deve ao blues seu ritmo base: o compasso quatro-por-quatro temperado com um contratempo (acento em batidas normalmente fracas). Na harmonia e na métrica, o rock também deve tudo ao blues: cada estrofe compõe um bloco de 12 compassos, usando apenas os três acordes básicos, os de primeiro, quarto e quinto graus. Tanto no blues quanto no rock, esses acordes costumam ser tocados juntos com uma nota chamada sétima bemolizada. Por fim, o rock’n’roll também usa e abusa de outro ingrediente essencial do blues: um tipo de fraseado chamado riff, repetido do começo ao fim da canção, dando a ela o efeito hipnótico e ultradançante.

Como surgiu a formação básica guitarra, baixo e bateria?
Em suas primeiras gravações em junho de 54, Elvis Presley — por escolha de seu descobridor, Sam Phillips — só tinha dois músicos: o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black. Foi assim que o trio, batizado Elvis and the Blue Moon Boys, passou a se apresentar no circuito country. Em outubro daquele ano, porém, ao tocar no programa de rádio Louisiana Hayride, eles foram acompanhados pelo baterista D.J. Fontana — músico cativo do show. O resultado agradou tanto que Fontana passou a ser chamado para tocar com os Blue Moon Boys, até ser incorporado definitivamente ao grupo, em agosto de 55.

fonte: Coleção 100 Respostas Mundo Estranho vol. 4: Rock

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