Terceirão! (2007)

Com medo da prova? É claro que sim, e daí?!

23 Outubro · Deixe um comentário

Todas as formas de ansiedade têm como nascente o medo. Isso não é ruim. O medo é uma emoção fundamental para a nossa sobrevivência. Quem não teve medo deixou seus genes na boca de um predador. Um experimento que gosto de citar consiste em desenhar um quadrado de um metro de lado no chão e pedir que um grupo de pessoas — cada uma em um quadrado — fique trinta minutos dentro dos limites dos riscos. Elas podem fazer qualquer coisa: dançar, pular, dormir, enfim, o “que der na telha”. A única proibição é pisar nas linhas. Após esse período, cada participante coloca um par de óculos de realidade virtual que simulam o mesmo metro quadrado como sendo o topo de um pilar com altura equivalente à de um prédio de vinte andares. Nessa situação, vários participantes ajoelham-se — o que é ótimo! Só faltava ficarem pulando num momento desses…

Entretanto, um grupo de pessoas cai. O medo as derruba. No primeiro caso, o medo — e por extensão a ansiedade — funcionou como emoção protetora. No segundo, o excesso de ansiedade derrubou os participantes.

A primeira forma de ansiedade é a que temos de perseguir quando começarem as provas: a ansiedade protetora é normal.

Mas como reconhecer o que é normal e anormal durante as provas?
Imagine-se no ambiente da prova. Você está sentado olhando sua identificação, que está colada em sua mesa, aguardando a chegada da prova. Seu coração está um pouco acelerado e há uma sensação de inquietação…
Isso é normal!

De repente alguém entra com a pilha de provas na sala. Você não consegue desgrudar os olhos dela. Seu coração se acelera mais ainda. As mãos estão um pouco suadas, e a boca parece um pouco seca…
Isso é normal!

As provas são distribuídas. Quando a prova é colocada na sua frente, parece que o mundo silencia.
Isso é normal!

Até que chega o fatídico: “Podem abrir as provas!”. Nesse momento, o coração dispara, a mão sua, a boca seca, o mundo silencia…
Isso é normal!

Você abre e imediatament, ao avistar um desenho, se desespera: “Ai, meu Deus, caiu mapa!”.
Isso NÃO é normal!

É óbvio que cairão mapas! Respire. Respeite a prova, mas não a transforme num filme de terror. A ansiedade deve ser convertida em concentração.

E por esperar “jogo duro”. Haverá questões que você não conseguirá resolver. Façamos algumas contas. No vestibular da FUVEST de 2005, quem fez 81 pontos passou para a segunda fase para a vaga de Medicina, o curso em que é mais difícil ingressar (observe que nem considerei a ajuda do ENEM). Você acha que esse candidato sabia as 81 questões? É óbvio que não! Algumas foram “no chute”. Quantas? Pensemos assim: em pelo menos 19 questões esse aluno teve alguma dificuldade (ele errou 19 questões!). Dessa forma, considerando que foram chutadas cerca de 20 questões com cinco alternativas, esse candidato acertou cerca de 4 questões (20%). Logo, das 81 acertadas, imaginemos 77 feitas com segurança. Houve problemas em 23 delas! Guarde esse número. Voltemos ao cenário da prova.

Você respirou e iniciou a resolução. A primeira e a segunda questão você conseguiu resolver sem grandes dificuldades. A terceira você não tem a menor idéia de como resolver. Inicia-se a auto-flagelação: “Isso não pode acontecer!”.

Na quarta a história se repete: “Eu não estou acreditando, isso é um pesadelo. Não é possível haver questões tão difíceis!”.

A quinta questão traz um certo alívio, você consegue resolver. A sexta você olha e se desespera: “Eu sabia que isso ia acontecer, vou ter de fazer cursinho de novo. O que vou falar para o meus pais?”.

Você jamais pode assumir essa postura. Eu exemplifiquei 3 situações difíceis. Lembre-se: quem passou para a segunda fase viveu isso pelo menos 23 vezes!
Isso é normal!

Não podemos idealizar que não enfrentaremos situações complicadas durante a prova. É certo que elas ocorrerão. Ter isso em mente não gera frustrações e traz alívio.

Portanto não exija a perfeição de si mesmo. Ela é inatingível. E não tenha medo de ficar ansioso na prova, pois, se o que gera a ansiedade é o medo, ter medo de ficar ansioso só aumentará a ansiedade. Aí sim essa necessária emoção que tem a função de ajudar pode derrubar você.

Celso Lopes de Souza é médico graduado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde atua na área de Psiquiatria desde a sua formação. É professor do curso Anglo na disciplina de Química. Na área de Psiquiatria, publicou livrou e arquivos científicos. Suas palestras já foram ouvidas por mais de treze mil pessoas.

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Da “Época”: discussão sobre livros didáticos

23 Outubro · Deixe um comentário

Tudo começou em 18 de setembro último, com a publicação de um artigo do jornalista Ali Kamel no jornal O Globo (disponível aqui, no site do Estadão) com trechos tendenciosos do livro Nova História Crítica — que, com certeza, foi usado pelos alunos que cursaram da 6ª a 8ª série em colégio público e agora estão no 3º ano do ensino médio. Eu, inclusive. O livro foi considerado “apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários.” A discussão só não atingiu maiores proporções porque no dia 1º de outubro o apresentador Luciano Huck foi assaltado e também publicou um artigo-desabafo na Folha de S. Paulo (Pensamentos quase póstumos), chamando todas as atenções para o caso. Huck foi capa da revista Época da semana passada; nessa semana, a discussão sobre os livros didáticos voltou à tona também com uma reportagem de capa intitulada O que estão ensinando às nossas crianças?, assinada por Alexandre Mansur, Luciana Vicária e Renata Leal.

Vários apostilas de livros didáticos foram citados, inclusive “um livro de Educação Física com um capítulo intitulado Faço esporte ou sou usado pelo esporte?, em que a atividade física é apresentada como ferramenta de exploração capitalista” e a apostila de História 3 do Anglo (quem estudou o 2º ano no colégio deve ter). O trecho é o seguinte:

“É o império da sociedade de consumo, perseguidora de maior produção, que continua a destruir o que resta de meio ambiente saudável do planeta. Cada vez mais destituída de solidariedade humana, essa sociedade consumista substitui a sociedade de cidadãos. É um mundo em que alguns são os senhores do mercado e a esmagadora maioria, sua vítima; tanto uns como outros mais e mais desumanizados.”

Para quem quiser conferir, isso está na página 540 (capítulo 68, sobre a Nova Ordem internacional).

A reportagem faz um comentário: “O que falta: a globalização beneficiou países periféricos, como China, índia e Brasil, que atraíram grandes investimentos de empresas que geram emprego. Esses países também passaram a competir no mercado global com suas empresas. Dados da ONU mostram que, entre 1985 e 2000, o valor das exportações anuais de todos os países do mundo aumentou de US$1,9 trilhão para US$6,3 trilhões. A renda per capita dos países em desenvolvimento subiu, em média, 5% ao ano durante a década de 1990 — bem acima dos países desenvolvidos. Os Tigres Asiáticos ficaram ricos com a entrada no mundo globalizado”.

“Algumas escolas do país usam sistemas de apostilas feitas por grandes empresas de educação como Objetivo, Anglo, Pitágoras, UNO e Positivo. O material feito por essas editoras nem passa pelo MEC”. Bem, a Época trabalha em parceria com o sistema UNO no Guia Época Vestibular 2008 — Atualidades, publicado em fascículos semanais há 9 semanas (são 10 ao todo, mais uma edição online).

Peço que, se possível, leiam a reportagem completa e pensem a respeito.

Gustavo

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L. F. Telles, “As Formigas”

23 Outubro · Deixe um comentário

Conto da Lygia Fagundes, já citado pelo professor Fabiano em uma de suas aulas. Integra a compilação Seminário dos Ratos, lançada pela primeira vez em 1977 e que faz parte da leitura recomendada para o vestibular da UEL. A leitura é recomendada também para quem não vai a Londrina: a história é ótima. Eis o link (também com Venha Ver o Pôr-do-Sol, este, do Antes do Baile Verde, para o vestibular da UEM).

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